Curitiba,
31 de agosto de 2005.
Para:
P. Dr. Walter Altmann - Pastor Presidente da IECLB
P. Homero Severo Pinto – Pastor lº Vice Presidente
da IECLB
P. Dr. Rolf Schünemann - Pastor 2º Vice Presidente
da IECLB
Sr. Luiz Artur Eichholz - Presidente do Conselho da Igreja
Membros do Conselho da Igreja
Pastores Sinodais
Ref.: Carta do Encontro de Obreiros do Movimento Encontrão
Os obreiros do Movimento Encontrão presentes na reunião
anual de obreiros, que neste ano aconteceu em Florianópolis-SC
nos dias 15 a 18 de agosto p.p., dedicaram tempo de sua
agenda para discutir e refletir sobre o atual momento da
IECLB. Suas maiores preocupações e anseios
estão expressos na carta em anexo, que reflete o
pensamento de todos os obreiros ali presentes.
Com efeito, nestas quatro décadas de existência
do Movimento Encontrão, é inegável
e inquestionável a nossa efetiva contribuição
no desenvolvimento da IECLB, através de um profícuo
ministério de evangelização e discipulado,
na capacitação de milhares de lideranças,
hoje integrantes dessa magnífica força do
voluntariado, que impulsiona e promove a vida nas comunidades
da nossa Igreja. Nosso compromisso com a vocação
missionária da Igreja é testemunhado tanto
pelos quatorze projetos coordenados pela Missão Zero,
quanto por dezenas de novas comunidades missionárias
surgidas na periferia de várias cidades brasileiras.
O alcance da prática missionária do Movimento
Encontrão junto aos jovens é atestado pelos
mais de dois mil jovens provenientes de cerca de cento e
cinqüenta cidades do Brasil, que congregamos em nosso
Encontrão Jovem Nacional a cada três anos.
A evangelização das novas gerações,
o despertamento de vocações entre os jovens,
nossos cursos de liderança para o trabalho com jovens
nas comunidades e os impulsos para o testemunho cristão
na sociedade fazem parte do nosso ministério com
jovens na Igreja. É o compromisso e a contribuição
do Movimento Encontrão para ajudar a estancar a tendência
crescente de evasão dos jovens de nossa Igreja ao
atingirem a idade adulta, conforme demonstram as nossas
estatísticas oficiais.
Além disso, somos também credores por uma
pregação e prática de compromisso financeiro
dos membros das comunidades, que tem produzido, ao correr
dos anos, um significativo incremento na contribuição
financeira dessas comunidades para os orçamentos
sinodais e central da IECLB. Tudo isso na perspectiva do
nosso compromisso e decisão, sempre afirmados como
inegociáveis, de fazer parte e desenvolver o nosso
ministério na e a partir da IECLB. Prova disso é
a manutenção nos nossos Estatutos de uma das
cláusulas pétreas fundantes do próprio
ME, ou seja, de que só podem fazer parte do ME membros
das comunidades da IECLB.
No entanto, diferentemente do tratamento dispensado a outros
movimentos na Igreja, nunca fomos contemplados com o respaldo
institucional explícito ao nosso ministério,
nem nunca fomos agraciados com iguais benesses financeiras.
Apesar disso, os nossos quarenta anos de história
testemunham do nosso compromisso e reconhecimento dos pilares
centrais da teologia luterana, sempre presentes na nossa
pregação, testemunho e práticas comunitárias,
e da nossa teimosa, insistente e intencional fidelidade
à IECLB. Fidelidade que tem sido retribuída,
não raro, com um clima de suspeita por parte da direção
e outras instâncias decisórias da nossa Igreja.
Entendemos que é chegada a hora de mudar esse clima
e essa situação. Afinal, quarenta anos de
história, de ministério integrador, de efetiva
contribuição e fidelidade não podem,
a cada momento e em diferentes pontos da nossa geografia
sinodal, ser simplesmente contestados e, de forma unilateral,
sempre de novo ser colocados sob suspeita.
Reivindicamos, refletindo as vozes dos obreiros do ME presentes
nesse encontro anual, o restabelecimento de um diálogo
integrador, e o reconhecimento do espaço do nosso
ministério nesta Igreja, que nós temos ajudado
a construir, e que queremos continuar ajudando a desenvolver.
Neste contexto, além da carta dos obreiros do ME
que ora estamos encaminhando para conhecimento e reflexão,
estamos também, formalmente, solicitando um consistente
espaço de diálogo na próxima reunião
do pleno do Conselho da Igreja, uma vez que outros canais
de diálogo anteriormente tentados se mostraram infrutíferos.
E para que este tempo de contato direto com os conselheiros
seja otimizado, e possa significar um efetivo avanço
na superação de barreiras e no resgate definitivo
desse incômodo capital de desconfiança, propomos
os seguintes pontos para aprofundamento:
1.Autonomia das Comunidades– Planejamento missionário/escolha
de obreiros.
2.Formação – isonomia no tratamento
dos centros de formação e dos alunos.
3.Missão – os desafios da pastoral urbana e
trabalho em novas frentes.
No espírito conciliador e integrador que sempre norteou
nossas ações, assinamo-nos
fraternalmente.
Pelo
Movimento Encontrão.
P. Ms. Jairo Lindolfo Menezes dos Santos
Diretor Executivo do Movimento Encontrão.
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