Carta
do Encontro de Obreiros 2005
Florianópolis (SC), 17 de agosto de 2005
Nosso
compromisso
Na percepção da nossa vocação
e na busca da obediência da fé, nós
afirmamos:
1. a vertente fundamental da teologia luterana com
a sua ênfase na centralidade de Cristo, na autoridade
das Escrituras, na suficiência da graça
abraçada em fé, bem como no sacerdócio
de todos os crentes;
2. a unidade cristã como mandamento bíblico
ao qual nos submetemos;
3. a missão como a razão de ser da igreja,
nos desafiando a continuamente vivenciar a evangelização
e a edificação da igreja;
4. a IECLB como a igreja na qual experimentamos a
nossa vocação e a partir da qual procuramos
cumprir nosso chamado. |
O
Movimento Encontrão (ME) nasceu dentro da IECLB
a partir do reconhecimento dos pilares centrais da teologia
luterana – somente Cristo, somente a graça,
somente a fé e somente a Escritura – articulando
uma prática pastoral missionária integrada
à realidade. Neste processo contribuímos
para o crescimento da IECLB pela evangelização,
edificação de igrejas e capacitação
de lideranças na perspectiva do sacerdócio
geral de todos os crentes. Contribuímos também
generosamente no fortalecimento financeiro das comunidades
e da IECLB como um todo. Nestes 40 anos exercitamos uma
proposta consistente de missão urbana. São
anos de fidelidade na IECLB. Mesmo assim continuamos a
ser tratados com suspeita nos mais diversos níveis
da Igreja quanto a nossa identidade luterana.
Reunidos no encontro anual de obreiros e obreiras do Movimento
Encontrão, na ocasião em que celebramos
40 anos de história dentro da IECLB, nós,
abaixo assinados, alicerçados em nossa missão
e nossa história, manifestamo-nos quanto ao contexto
atual vivido por nossa igreja.
1.
Entendemos que a atual direção da IECLB, contrariando
a tradição da nossa igreja que respeitava
e dialogava com os diferentes, tem optado por um caminho
centralizador e não dialogal. Por exemplo: a troca
de secretarias por assessorias, as investidas contra a autonomia
das comunidades quanto a escolha de seu obreiro. Ademais,
entendemos que o encaminhamento de processos disciplinares
pode dar margem ao seu uso político-ideológico.
2.
Recentes pesquisas mostram que a maior crise da nossa Igreja
está nas áreas urbanas. Ela se mostra incapaz
de integrar as diversidades culturais e sociais por causa
de sua inflexibilidade cultural e litúrgica. Enquanto
que outras igrejas históricas – inclusive a
Igreja Católica Apostólica Romana –
fazem um esforço de integrar a ênfase carismática
e a diversidade cultural, nota-se que a IECLB cada vez mais
se distancia desta realidade e se fecha em si mesma. Desta
forma a IECLB não consegue exercitar modelos alternativos
de comunidade para dentro do contexto brasileiro. Estamos
conscientes de que sem modelos integradores de Igreja, as
rupturas que hoje acontecem em algumas comunidades e as
crises daí advindas, tendem a se repetir em todos
os contextos de missão urbana. Por isso não
pode haver um atropelo no diálogo e não podemos
ficar sem mediação neutra. Sonhamos uma igreja
onde, na administração dos conflitos, a misericórdia
triunfe sobre o juízo.
3.
É imperativo que a hierarquização dos
documentos normativos seja respeitada conforme definida
no último Concílio Geral da IECLB. É
inegociável o reconhecimento prático da autoridade
da Escritura, dos três credos da Igreja Antiga, da
Confissão de Augsburgo e do Catecismo Menor sobre
todos os documentos normativos e programas da Igreja, em
questões doutrinárias, éticas e litúrgicas.
Como membros, obreiros e obreiras da IECLB, reivindicamos
da direção de nossa Igreja o restabelecimento
do diálogo integrador que faça justiça
à contribuição do Movimento Encontrão.
Reivindicamos sinais concretos de um empenho em superar
o clima de suspeita. É direito de todo membro exigir
da direção da sua Igreja que se atenha às
regras acordadas.
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