FORMAÇÃO
TEOLÓGICA NA IECLB... RUMO AO SÉCULO XXI
Uma perspectiva do Movimento Encontrão
Sapucaia do Sul, 13 de abril de 1989.
Caros
irmãos e irmãs,
A
formação cristã é uma espécie
de menina dos olhos de uma igreja que se preocupa com a
vivência do evangelho ao mundo que o cerca, e sua
transmissão aos seus próprios filhos e às
gerações futuras. Ela abraça um amplo
leque de iniciativas educativas que vão da Escola
Dominical à formação especializada
de quadros pastorais.
Como
um movimento de renovação dentro da IECLB,
o Movimento Encontrão (ME) está convencido
de que o ensino é a espinha dorsal de qualquer movimento
e/ou proposta que queira alcançar e desafiar as gerações
emergentes, bem como representar uma alternativa séria
para a igreja como um todo. Fazendo uma avaliação
do seu ministério educativo, o ME percebe que tem
concentrado as suas energias na formação dos
leigos, mas encontra na área da formação
pastoral e missionária a sua maior deficiência.
Mais do que isso, o ME percebe que estas são áreas
sensíveis e em crise na IECLB como um todo.
Visando
refletir a questão da formação, o ME
está desencadeando um processo de discussão
do assunto que, cremos, interessa a outros grupos e pessoas
dentro da IECLB. Para iniciar este debate, o ME está
submetendo a todos os níveis da igreja o documento
de estudo anexo, que tem sido, até o momento, o resultado
de um processo de reflexão interno ao ME. Entendemos
que a comunidade, como a célula básica da
igreja, é a nossa parceira maior neste diálogo.
É por isso que estamos convidando as comunidades
e seus líderes, bem como os pastores e os luteranos
em geral, para analisarem e se manifestarem acerca do documento
anexo. E, mais do que isto, estamos pedindo que, na medida
em que concordem com as linhas gerais de preocupação
nele expressas, subscrevam-no - veja a folha anexa. Nós
consideramos que esta subscrição é
essencial para o futuro da discussão sobre formação.
Ela vai nos mostrar até onde o assunto que estamos
abordando é considerado importante na igreja hoje.
Queremos deixar claro que não consideramos ser o
documento a palavra final. Ele é apenas um subsídio.
É por isto que gostaríamos de desafiar o maior
número possível de comunidades e pessoas a
se manifestarem sobre o assunto. Esperemos que a divulgação
e discussão do documento e a subscrição
ao mesmo venham a desencadear no seio da IECLB um amplo
processo de consultas sobre a questão da formação.
É a partir destas reações que os próximos
passos serão tomados.
Que
Deus nos oriente ao pensarmos a questão da formação
na IECLB.
A Equipe Nacional do Movimento Encontrão
São
membros da Equipe Nacional do ME: Nelson Bauermann, Renato
Becker, Dilmar Devantier, Walter Doerr, Markus Eberhard,
Carlos Eberle, Edson Ferreira, Dieter Fertsch, Ursula Fertsch,
Marlon Fluck, Reynoldo Frenzel, Arzemiro Hoffmann, Oscar
Jans, João Klug, Carlos Lichtler, Egon Lohmann, Helvino
Pufal, Nelson Pereira, Marli Quandt, Kurt Rieck, Rolf Rieck,
Jairo Menezes dos Santos, Sérgio Schaefer, Carolina
Schulz, Werner Schulz, Valdir Steuernagel, Raul Wagner e
Douglas Wehmuth.
São
membros da Comissão de Formação do
ME: Antonio Behrens, Claus Brunken, David Danker, Dilmar
Devantier, Gerson Fischer, Reynoldo Frenzel, Marlon Fluck,
Enio Mueller, Arzemiro Hoffmann, Jairo Menezes dos Santos,
Carolina Schulz. Werner Schulz, Emil Sobottka, Valdir Steuernagel,
Mario Tessmann, Rosane Tuenermann, Rudi Tuenermann, Vilmar
Wasen, Martin Weingaertner e Ilse Zirbes.
FORMAÇÃO TEOLÓGICA NA IECLB...RUMO
AO SÉCULO XXI
Uma Perspectiva do Movimento Encontrão
(Documento de estudo)
“... antes santificai a Cristo, como Senhor, em vossos
corações, estando sempre preparados para responder
a todo aquele que vos pedir razão da esperança
que há em vós”.
(1 pe 3.15)
“O
Novo Testamento preconiza a comunidade adulta, consciente
de sua fé, equipada para enfrentar os desafios do
mundo”.
(G. Brakemeier)
A FORMAÇÃO TEOLÓGICA - Considerações
gerais
A
preocupação com a formação teológica
é uma decorrência necessária da fé
cristã. Abraçar integralmente a fé,
vivê-la em comunidade e encarná-la junto aos
mais diferentes segmentos da vida pessoal e social, requer
uma articulação que seja compreensível,
convincente, contagiante e transformadora.
A
formação teológica, que pressupõe
o compromisso de fé e renovadamente leva a ele, só
é autêntica quando emerge da comunidade e desemboca
na comunidade. Mesmo quando tenha uma clara dimensão
acadêmica, a formação teológica
não pode se afastar da comunidade de fé e
não pode abrir mão do compromisso de fé.
A
formação teológica não pode
ser entendida como um processo autômono que tenha
sua legitimidade em si mesmo. Ela será tanto mais
autêntica quanto mais brotar do seio de uma igreja
que seja missionária. A teologia só é
verdadeiramente teologia cristã quando emerge da
comunidade de fé e desemboca nesta mesma comunidade,
e a igreja só é verdadeiramente igreja quando
é igreja missionária. A formação
teológica, portanto, deve ter os olhos obsessivamente
postos na tarefa missionária da igreja. “Educação
teológica é, como diz Orlando Costas, (...)
o processo por meio do qual a igreja é formada na
fé e informada sobre ela, para articulá-la
em atos e palavras, com integridade bíblica, teológica,
histórica e ética e vitalidade espiritual,
através de fronteiras geográficas, sociais,
psicológicas, culturais, políticas, econômicas
e religiosas”1.
A
formação teológica, edificada numa
base trinitária e com claro foco cristológico,
é instrumento fundamental da Igreja para a execução
da sua tarefa missionária.
Como
tarefa e exercício de todo o povo de Deus, a formação
teológica se coloca sob o signo do sacerdócio
geral de todos os santos. Como tal, ela visa capacitar e
formar todo o povo de Deus em todo o conselho de Deus, visando
o anúncio de todo o Evangelho a todas as pessoas
em todos os lugares.
A
formação teológica, a serviço
do ministério educativo da igreja, pode ser compreendida
como uma tarefa em três dimensões:
a)
Despertar os membros das comunidades para o sacerdócio
geral de todos os santos, capacitando e encaminhando dons,
talentos e vocações para o serviço
do Reino, observando as necessidades da Igreja, os desafios
missionários e as possibilidades pessoais.
b)
Despertar, capacitar e encaminhar os seus membros vocacionados
para o ministério pastoral, catequético e
diaconal.
c)
Despertar, capacitar e encaminhar alguns dos seus membros
vocacionados para o ministério de mestres (teólogos
e professores) no seio do Corpo de Cristo, visando a melhor
compreensão da fé e do exercício da
obediência missionária.
A FORMAÇÃO TEOLÓGICA: - Perspectiva
histórica
Ao
longo da história, a igreja tem procurado responder
ao desafio da formação teológica de
diferentes maneiras. O primeiro modelo sob o qual a igreja
trabalhou2 foi o catequético, que enfatizava o discipulado
e preparava os cristãos para darem razão da
sua fé em fidelidade a Cristo. O segundo modelo foi
o monástico, que apostou numa crescente diferenciação
de funções entre “clérigos”
e “leigos” e desenvolveu uma espiritualidade
reclusa ao monastério. O modelo escolástico
foi o terceiro a emergir. Enfatizando o desenvolvimento
acadêmico dos teólogos, este modelo se caracterizou
por buscar uma síntese entre a teologia e a filosofia,
entre revelação e razão. O modelo seminarístico
influenciado pelo espírito da Reforma e pela redescoberta
do sacerdócio geral de todos os santos, assumiu uma
proposta de formação que tem levado em conta,
mais claramente, a realidade das igrejas e a dimensão
prático-pastoral do ministério cristão.
A percepção das limitações deste
modelo e sua inadequação para a realidade
de muitas igrejas, especialmente nos países pobres
do Terceiro Mundo, estão levando a uma ampla variedade
de experiências inovadoras.
A
nível da IECLB se constata que a concretização
de um projeto de formação de pastores se viabilizou
por pressão externa (Primeira e Segunda Guerras Mundiais)
e apenas depois de quase um século de instalação
neste país. Emergindo com uma ênfase pastoral,
este projeto de formação começou de
uma forma simples e artesanal. No decorrer dos anos, a ênfase
pastoral foi cedendo lugar a uma formação
mais voltada para o acadêmico, verificando-se um paulatino
afastamento das comunidades. O conflito entre formação
de teólogos e de pastores é um conflito não
resolvido até os nossos dias.
Olhar
para a história e estabelecer um diálogo com
ela é uma das formas de responder ao desafio contemporâneo
de articular uma formação teológica
que seja relevante e obediente. Olhar para o futuro, no
entanto, é uma outra dimensão desta mesma
tarefa.
A
FORMAÇÃO TEOLÓGICA - Perspectivas futuras
Ao
olharmos para o futuro perguntamos o que a Bíblia
diz sobre ele. O livro de Apocalipse (Ap 21) compara a igreja
a uma cidade, lugar de encarnação e interação
com o mundo e com a cultura humana. Esta cidade tem doze
portas, sinal d sua vocação missionária,
aberta à entrada e à saída de toda
a humanidade e dos distintos clamores de cada raça,
nação e grupo social. Suas muralhas são
límpidas como vidro para que o resplendor da glória
de Deus transpareça, como símbolo de sua santidade
pessoal e institucional.
Como
enviados ao mundo e desafiados a encarnar-nos transformadoramente
nele, sugerimos que a formação teológica
deve ser capaz de olhar para o futuro e preparar os cristãos
para o mesmo. Uma formação teológica
voltada para o século XXI deve levar em conta os
seguintes possíveis desenvolvimentos e desafios que
poderão caracterizar a sociedade de amanhã:
a)
O questionamento crescente da fé e da vivência
cristã e o declínio do poder eclesiástico,
pela crescente separação de fato entre igreja
e poder civil, recolocarão os cristãos como
pequenino rebanho peregrino (Lc 12.32).
b)
A religiosidade não está em declínio.
O crescimento das religiões orientais, do sincretismo
e do relativismo religiosos mostra a revitalização
de práticas místicas, geralmente reservadas
ao âmbito da vida individual, sem conseqüências
renovadoras da coletividade humana e de suas relações
sociais, econômicas e políticas.
c) A despeito da aproximação global da humanidade
através de meios de comunicação, transporte
e difusão cultural e de dados cada vez mais eficazes,
crescem a segmentação social, racial e ideológica,
as guerras econômicas e religiosas, a ameaça
de destruição total da humanidade e a devastação
da natureza e de seus recursos. Crescem ainda o individualismo,
a solidão e o utilitarismo como padrão de
conduta social. E, não por último, crescem,
em muitos países, o analfabetismo e o empobrecimento
cultural.
d)
O conceito de família está em crescente reformulação,
inclusive no que diz respeito ao comportamento sexual.
e)
A cibernética exerce cada vez mais sua influência
como co-modeladora de maneiras novas de encarar a vida.
As grandes descobertas científicas e o benefício
da tecnologia de ponta são apropriados de forma cada
vez mais concentrada.
f)
Aliada a uma reformulação ainda não
claramente delineável da vida no campo e nas pequenas
cidades, constatarem uma metropolização desenfreada
e o conseqüente cerceamento de possibilidades razoáveis
de vida digna. Estes fatores aviltarão cada vez mais
o comportamento humano, especialmente em massa, gerando
toda sorte de violência e insegurança e opondo-se
a uma vida ecologicamente equilibrada, na qual todos desfrutem,
em justiça e paz, do resultado de seu trabalho e
da satisfação de suas necessidades físicas,
espirituais e afetivas fundamentais.
g)
A reabilitação de setores tais como mulheres,
jovens, minorias étnicas e maiorias sociais, que
por excessivo tempo estavam marginalizados das esferas de
decisão e benefício do bem comum da coletividade,
desencadeia um salutar processo de reordenamento desta coletividade,
não sem gerar tensões e novas marginalizações
que demandarão a atenção da igreja.
h)
Um certo tipo de ecumenicidade institucional e programática
estará desafiado a dar razão de sua unidade
e da encarnação do evangelho de Jesus Cristo
em todas e cada uma destas situações.
Para
que a igreja possa responder evangelicamente a estes desafios
propomos que a formação teológica,
indo ao encontro das necessidades emergentes, motive e capacite
os cristãos em sua tarefa missionária. Estes
cristãos deverão ser sensíveis à
justiça social e à paz, ágeis e destemidos
no testemunho, capazes de atrair para a vivência da
fé cristã crescente número de pessoas,
para que formem comunidades capazes de assumir as dores
do mundo com a força e a palavra do evangelho. Estas
comunidades devem, ainda comprometer-se com o serviço
desinteressado a todos os seres humanos e à pessoa
toda, capazes de aproveitar, com igual distinção,
todos os dons e habilidades em testemunho solidário,
para a honra e a glória de Deus.
O MOVIMENTO ENCONTRÃO - Sua contribuição
para a formação teológica
O
ME, como um movimento de evangelização e renovação,
tem se caracterizado por ser um movimento que investe e
se compromete com as comunidades de fé na sua expressão
local. Articulando um processo artesanal de formação
de lideranças, o ME tem acentuado a evangelização,
o discipulado e o treinamento, visando um testemunho pessoal
e comunitário ágil, simples, efetivo e convincente.
O ME tem apostado no e exercitado o sacerdócio geral
de todos os santos, enriquecendo a IECLB com um rico quadro
de leigos engajados.
Investindo
no discipulado pessoal e grupal, incentivando o surgimento
de grupos de estudos bíblicos, realizando retiros
e encontros para capacitação de lideranças
e mobilização de milhares de jovens, articulando
programas de formação através de currículos
bíblicos de finais de semana, incentivando o despertar
musical de jovens e introduzindo na IECLB uma nova hinologia,
desenvolvendo uma pastoral da juventude que produz um compromisso
cristão claro, propiciando a articulação
de uma rede autônoma de liderança leiga, contribuindo
para o despertar missionário no seio da igreja e
publicando material prático-pastoral, o ME tem dado
a sua contribuição para a formação
teológica no seio da IECLB.
Tem
emergido no seio do ME uma preocupação mais
específica de formação. Esta preocupação
se evidencia na busca por um discipulado mais integral e
contextualizado, uma prática pedagógica que
facilite a compreensão das necessidades do nosso
tempo e a resposta às mesmas e uma prática
pastoral que, respeitando as comunidades, caminhe com elas
para uma obediência cristã engajada e uma ênfase
missiológica que renove a igreja e busque cumprir
o seu mandato missionário.
A
recente experiência com o CBTB (Curso Bíblico
Teológico de Base) é um esforço na
direção acima. O aprofundamento e ampliação
desta experiência é uma necessidade que se
impõe a um movimento que aposta na evangelização
e na renovação da igreja. O estabelecimento
de um centro de estudos e documentação, e
a preocupação com a produção
e promoção de literatura condizente com as
necessidades da igreja são pontos que estão
na agenda para a nossa reflexão e decisão.
O
nosso compromisso, como ME, com todo o povo de Deus e com
a formação de lideranças leigas é
inegociável. É igualmente inegociável
que somos IECLB, acreditamos na renovação
dela e nos engajamos no crescimento da mesma, bem como na
sua penetração por todo o Brasil e na sua
vocação missionária, sem limites geográficos.
A
FORMAÇÃO TEOLÓGICA - Ministério
pastoral e a EST
Um
dos braços da formação teológica,
conforme anteriormente especificado, é a capacitação
para o ministério pastoral clássico e para
o ministério teológico. Esta faceta da formação
torna-se central e crucial numa igreja como a IECLB que,
historicamente, tem sido uma igreja de pastores. Impõe-se
entender também que o monopólio da formação
de pastores tem estado nas mãos da Faculdade de Teologia,
mais recentemente a Escola Superior de Teologia. É
esta instituição que tem formado a maioria
do atual quadro de pastores desta igreja, ainda que esta
mesma instituição se identifique como um centro
de formação de teólogos e não
de pastores.
A
crise do modelo tradicional de igreja, o surgimento e crescimento
do ME e o conseqüente despertamento de vocações
para o pastorado e a recente articulação teológica
intermediada pela Teologia da Libertação fornecem
um cenário novo que a formação teológica
na EST não tem respeitado. Associado a um distanciamento
das comunidades e a um desrespeito à expressão
de fé de muitos dos vocacionados, a EST tem se estreitado
teologicamente e tem provocado uma insatisfação
generalizada no seio de muitas comunidades.
No
contexto do ME, o repúdio para com a unilateralidade
teológica e a insensibilidade pastoral tem chegado,
há muito tempo, a níveis insuportáveis.
Desde 1974, acolhendo o clamor de um amplo setor do estudantado
da EST, o ME tem gestionado a alteração deste
quadro junto à presidência da IECLB, aos Conselhos
Diretores, aos reitores, e tem se feito presente em diálogos
com corpo docente e discente da EST. Também em Concílios,
desde 1978, tem levantado seus reclamos, fazendo-se porta-voz,
inclusive, das inquietações de muitas das
comunidades da IECLB, não necessariamente identificadas
com o ME. Na prática, além de promessas, a
resposta tem sido incompatível com as preocupações
que, vistas da perspectiva do ME, poderiam assim ser enumeradas
como as mais prementes:
a)
O ensino ministrado na EST não prepara adequadamente
os estudantes para o pastorado, por privilegiar em demasia
a dimensão acadêmica, preterindo, em especial,
as dimensões pastorais e missiológicas. Essas
lacunas tendem a comprometer o ministério pastoral
de muitos dos egressos da EST.
b)
A EST não espelha a diversidade teológica
existente na IECLB, dando excessivo espaço a um determinado
discurso libertacionista, em detrimento dos demais. Verifica-se,
ainda, um desrespeito a determinadas expressões de
fé, vividas tanto pessoal quanto comunitariamente.
c)
As áreas de insatisfação com a EST
são diversas: a leviandade no que concerne aos padrões
éticos; os critérios de admissão, que
omitem a questão do compromisso de fé do candidato;
a grande pressão teológico-emocional sobre
os jovens (alguns ainda adolescentes) que ali chegam; a
preocupação com o acompanhamento, que não
se mostra sensível com a vivência de fé
das comunidades de onde os estudantes são oriundos.
A
análise de todos e cada um destes fatores tem levado
crescentes setores do ME a expressarem uma acentuada preocupação
com o único centro de formação da IECLB.
Há uma preocupação generalizada de
que nos termos atuais o ME não poderá continuar
a dar credibilidade à EST, e se discute seriamente
se é responsável recomendar aos jovens ingressarem
nesse centro de formação. Discute-se, ainda,
possibilidades e implicações para o desencadeamento
de um processo alternativo de formação teológica.
Esta formação alternativa deveria conceder
especial atenção aos aspectos missiológicos
do ministério da igreja, visando as dimensões
diacônicas, catequéticas e pastorais. Ao mesmo
tempo, deveria atentar para um compromisso de fé
dos candidatos e o respeito às expressões
de fé dos estudantes e das comunidades de onde procedem.
Considerando-se
que a impaciência é grande e que proposições
paliativas tornaram-se inaceitáveis, conclamamos
todas as instâncias da IECLB a participarem de um
processo de reflexão e consulta às comunidades
sobre formação teológica, que seja
amplo e aberto e que espelhe, em termos de representatividade,
a variedade teológica existente no seio da IECLB,
com o objetivo de revisar o modelo de formação
vigente e de implementar com urgências as soluções
mais adequadas.
O
senhorio de Cristo, expresso na base confessional da Igreja
Cristã, da IECLB e da própria EST, assim o
propomos, deve manifestar-se numa clara opção
pela prioridade do anúncio e vivência do Reino
de Deus no seio da sociedade humana.
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