Teresina
em Resumo - André Hindlemayer
Estar
em Teresina foi um presente de Deus. Veio gente do Rio Grande
do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas
Gerais, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, Brasília,
além de participantes das comunidades nordestinas de
Araripina, Crato e Juazeiro do Norte.
Saímos
de Curitiba na madrugado do dia 1º e seguimos para Crato,
no Ceará. Chegamos para o almoço no dia 03,
visitamos o Horto, onde fica a estátua do Padre Cícero
e tivemos dois dias de treinamento. Os evangelistas conheceram
um pouco melhor a cultura nordestina e receberam instruções
sobre evangelismo e visitação. Participamos
também da inauguração do novo templo
da comunidade do Crato. Um culto muito significativo. Foi
uma celebração, um momento de agradecer a obra
feita com muito esforço, mobilização
e engajamento comunitário.Viajamos para Teresina na
noite do dia 05.
Os dias
de projeto foram incríveis. Você deve ter lido
nos outros artigos algumas histórias do que Deus fez
naqueles dias. Eram 94 projetistas, os “amarelinhos”
e foram visitados os bairros São João, Noivos
e Recanto das Palmeiras. Foram 17 dias de visitação
e 15 cultos na praça. No início reuníamos
70 pessoas e terminamos com mais de 200, além de 50
crianças. O último culto foi no templo, no dia
22, onde aproximadamente 200 pessoas, juntamente com os projetistas
e as crianças celebraram o nascimento da nova igreja.
Os palhaços contaram histórias bíblicas
para as crianças, teve coreografia e um louvor animado.
Foi muito bonito.
Na manhã
do dia 23 voltamos para o Crato e nos reunimos com o pessoal
das igrejas nordestinas para o Encontrão do Nordeste.
Foi outra festa. Ouvimos os testemunhos daquele povo, louvamos
com eles, experimentamos a comunhão num só Espírito,
foi especial e inesquecível.
O Missionário
Enio e sua esposa Regina ficam responsáveis pela igreja
recém formada em Teresina-PI. O casal Roberto e Leci
Gerling assumem o trabalho em Araripina-PE. Em Juazeiro do
Norte-CE, com a saída de Hilton e Edla, que retornam
para Santa Fé do Sul, assume a Missionária Silvia
Penz. Na cidade de Barro-CE, com a saída de Elcio e
Carla, a jovem Jucineide coordenará o trabalho, ela
é fruto da igreja de Araripina.
Orem por
estes trabalhos e pelos missionários.
Carta
do Sérgio - Sérgio Schaeffer
Teresina, 08 de fevereiro de 2004
Queridos Irmãs e Irmãos
“Como
são formosos os pés dos que anunciam boas novas”!
Tanto o Profeta (Is 52.7) como o Apóstolo (Rm 10.15)
preferem falar dos pés (ao invés dos nomes),
dos mensageiros que se põem a caminho para anunciar
a graça, o amor e a salvação de Deus.
Com isto, obviamente, não correram o perigo de esquecer
alguém que devesse ser citado. Eu sei que corrermos
o risco, neste relato sobre o Projeto Teresina, que aconteceu
agora em janeiro, mas vamos lá.
O ProjetoTeresina
envolveu muitos nomes. Nomes bonitos e que deixaram marcas
em muita gente.
Bernardino Viana é o nome da praça no Bairro
S. João onde foram realizados os cultos do Projeto
à noite. Praça de má fama na cidade por
ser ponto de encontro de prostitutas, drogados, bêbados
e desocupados. Encontramos a praça feia, atulhada de
lixo, perigosa (uma moradora da área nos disse que
não ousaria passar naquela praça no meio da
tarde!). Mas ela recebeu uma recauchutagem já no segundo
dia do Projeto, por parte dos garis da Prefeitura. Contudo
continuou mal iluminada e freqüentada pelas mesmas pessoas
sem nome, sem honra, sem história. Foram instaladas
duas lâmpadas no coreto, onde eram realizados os cultos,
e dois pequenos holofotes a sua frente, para espantar as trevas
e a acolher os corajosos projetistas, com suas camisetas e
bonés amarelos. Aquela clareira iluminada foi atraindo
pessoas, cada noite mais alguns, até chegar a mais
de 300 além dos 100 projetistas. Bernardino Viana continua
o nome da praça mas ela não é mais a
mesma!
Paulo,
usuário de drogas e Sônia, alcoólica e
drogada, ambos dependentes químicos há mais
de 20 anos, entre outros, encontraram em Cristo a luz para
renunciar seus vícios e estão firmes na Comunidade.
Adriana,
nordestina e morena bonita, resistiu ao apelo do Evangelho.
O que a atraia cada noite ao culto? A luz em frente ao coreto,
o canto, as peça de teatro e coreografias bem ensaiadas,
a pregação das boas novas ou os “meninos”
bonitos do sul? Isto agora não importa. Ela não
perdeu a chance e junto com mais outras 50 pessoas “veio
à frente” no último culto e assumiu um
compromisso com Cristo entre muita emoção e
lágrimas.
Ma. Francisca,
dona de casa, acolheu em sua casa uma dupla de amarelinhos
e, como outras centenas de pessoas, depois abriu as portas
do coração ao evangelho. Em sua casa se reúne
um grupo regular de estudo bíblico de 15 senhoras,
que aos poucos estão migrando para o local de culto
da Comunidade.
Reilan,
um militar reformado e sua esposa Isabel, que tem uma história
linda que você poderá ler no compartilhar da
Sílvia (abaixo).
Dos que
tomaram uma decisão para Cristo durante o Projeto,
neste entremeio, dois vieram a falecer: Gilmar, de longa enfermidade
(câncer) e Antonio, (namorado da Michele que continua
firme na Comunidade) em conseqüência de um acidente.
Cremos que nos antecedem na glória.
Enio,
Regina, suas filhas Sara e Ellen, e temporariamente os projetistas
André e Dirocí ficaram em Teresina. Eles estão
visitando as pessoas que disseram um sim para Jesus Cristo
ou manifestaram interesse em querer fazer parte desta Comunidade
Missionária. Nos dois cultos após o Projeto,
nos domingos à noite, participaram 40 adultos e jovens,
além das crianças. Nos estudos bíblicos
a média nas quartas é de 30 pessoas. Vocês
qquerem lembrar estas pessoas em oração, por
favor?
Também
temos alguns nomes a citar entre os “amarelinhos”.
Foi um time e tanto!!!
Isolde,
Romeu, Rosalvo, Ademar, Inês,e Carlos (com sua inseparável
Bíblia amarrada a tiracolo por um barbante), representantes
da terceira idade, caminharam pelas ruas do Bairro S. João
a buscar oportunidades de compartilhar o evangelho. À
noite aceitaram dormir em colchões da espessura de
pouco mais que uma folha de papelão, sobre os lastros
dos beliches ou no piso de cimento. Pagaram o preço
por vestir a camiseta amarelinha, sem queixa.
Paulo
,o sargento da aeróbica matinal no QG, Wagner, nosso
dirigente do louvor, Ilka,a professora que reuniu 50 mulheres
para ensinar artesanato, Geraldo, Walmiro e outros de meia
idade deram um gás de envergonhar a turma mais jovem.
Um exemplo dessa turma está na Viviane e sua colega
de dupla que levaram um sufoco ao entrar num barraco da favela.
Tiveram que enfrentar uma prostituta e o parceiro traficante,
que não conseguia ajeitar a revólver sob a camiseta.
Haviam
os negros como a Raquel, de Brasília, Cíntia,
a entusiasmada ministra do louvor ou a Ivone, mulher de oração.
E os branquelas, entre estes a Juliane , a Greice, a Eda ou
o Klaiton (mais conhecido por Carneirinho). Na cor morena
do nordeste pareciam brancos mais que a neve. Todos gente
bonita a enfeitar nosso time.
Méritos
para os estudantes da FLT, Jair, que fez seu estágio
na Área do Sertão e foi o executivo para que
o Projeto acontecesse; para a vibrante turma do Grupo de Comunhão
da EST Mateus, Marcelí, Deise, Matias e Michele, mais
os alunos da FATEV Eduardo, Silvia, Aline, Fernanda, Daiane
e André (secretário da MZ e supervisor do projeto
que só começou a perder e trocar as malas no
fim da viagem). Esta turma não titubeou em sacrificar
as férias para ser enriquecido e ajudar a enriquecer
vida de muitas pessoas. Estes tem futuro.
Não
poderia deixar fora o Edson, Arlete, Verônica, Isaack,
Sandra, Regina, Neid e, Lourival que representaram as Comunidades
Missionárias do Sertão no Projeto. Estavam em
casa e fizeram a ponte em termos culturais dentro de toda
a equipe.
Como vocês
podem ver há muitos nomes. Mas há muitos, muitos
outros. Não só de amarelinhos mas de pessoas
que ficaram na retaguarda, nas Comunidades de origem, em oração
e que apoiaram, financiaram e estimularam este Projeto. Os
nomes não cabem nesta carta que já é
grande demais. Mas estes nomes também estão
no coração de Deus. Obrigado a todos.
As informações
que lhes encaminhamos devem servir para animar vossa gratidão
e adoração a Deus, bem como a intercessão.
Assim, mesmo que você não “tenha se posto
a caminho”, como escrevi no início, também
tem os pés formosos, já que carregam aqueles
que “anunciam boas novas”’ .
Com um
forte “cheiro” (abraço) nordestino.
A
história de Reilan – Silvia Weingärtner
Dia 07/01/04
foi o primeiro dia em que saímos para evangelizar,
quando estávamos batendo na porta da última
casa que iríamos visitar naquele dia parou ao nosso
lado um homem de bicicleta, perguntei se ele morava ali e
ele disse que não e perguntou se a gente fazia parte
de alguma igreja e se fazíamos palestras, eu disse
que sim e perguntei qual era o interesse dele. Sentamos na
calçada, ele se apresentou o nome dele é Reilan,
ele é militar reformado, nos disse que tem um trabalho
com crianças carentes num bairro próximo. A
maioria das crianças com as quais ele trabalha não
tem pai, o trabalho dele é no sentido de manter as
crianças longe das drogas, para isso ele dá
palestras e investe no esporte. Ele nos mostrou seu projeto
de trabalho uma das estratégias do projeto é
ensinar as famílias a lerem a Bíblia e se orientar
por ela, o projeto também fala muito em missão
integral. Perguntei em que igreja ele participava e ele disse
que em nenhuma.
Como
não tínhamos autonomia para marcar um dia para
visitá-los, pegamos seu telefone para a equipe do projeto
entrar em contato com ele, ele ainda nos deu uma cópia
do contrato para levarmos para a liderança. Mas no
meu coração eu sentia que ele mesmo estava pronto
para receber o evangelho.
Levamos
a cópia do projeto para a liderança e a equipe
que estava encarregada do trabalho com as crianças
entrou em contato com ele e no dia 17 e 20/01/04 a equipe
foi lá levar o evangelho e outras palestras (higiene
bucal e alcoolismo), muitas crianças entregaram a vida
para Jesus. No dia 20/01/04 o Reilan, sua esposa Isabel com
algumas crianças do projeto foram ao culto na praça,
podíamos perceber que eles absorviam cada palavra que
era dita na pregação, no final da pregação
quando foram chamados a frente aqueles que queriam entregar
a vida a Jesus ambos fizeram a oração de entrega.
(O Reilan
pediu para dizer algumas palavras, ele disse que a nossa estadia
ali tinha transformado aquela praça, ninguém
mais a freqüentava além dos que ali usavam drogas
e se prostituíam. Assim a nossa estada lá trouxe
de volta a praça famílias inteiras, ele terminou
dizendo: “As vezes a gente espera os anjos vestidos
de branco e de cabelo dourado, mas eu aprendi que os anjos
também vestem amarelo”).
No dia
da inauguração do templo 22/01/04 eles estavam
lá novamente, a Isabel me disse que há algum
tempo ela vinha pedindo a Deus que mandasse alguém
com que eles pudessem ter comunhão e disse que Deus
tinha atendido o seu pedido mandando a gente lá. Ela
disse também que tinha falado com o Reilan que eles
precisavam ir todos os domingos ao culto para aprender e também
para ajudar o Enio e a Regina.
Um dos
meninos que estava com ela chorava muito de tristeza porque
íamos embora ai a Isabel o consolou dizendo, “não
chore os amarelinhos (assim éramos conhecidos no bairro
por causa da cor de nossas camisetas) vão embora, mas
a partir de agora nós somos os amarelinhos”.
Ela tinha entendido que a partir daquele dia a igreja e a
missão eram deles.
Estudo
Bíblico – Silvia Weingärtner
Dia 10/01/04
eu a Camile e a Nelci estávamos fazendo visitas, chegamos
a uma casa que estava com o som ligado num volume muito alto,
eu pensei vou bater por bater mas acho que nem vão
querer falar conosco. Para a minha surpresa a dona da casa
desligou o som, abriu a porta e com um sorriso muito simpático
nos convidou para entrar. A jovem senhora se chama Maria Aparecida
e tem uma filhinha linda, a Camile foi brincar com a menina
enquanto eu apresentava o plano da salvação
para a Aparecida, enquanto eu falava seu rosto ia sendo transformado,
quando eu perguntei se ela queria entregar sua vida a Jesus
ela disse que sim, oramos juntas e ela abriu seu coração
para Jesus. Perguntei também se ela queria que voltássemos
lá para estudarmos a Bíblia juntas e ela disse
que queria. Quando saímos de lá o sorriso da
Aparecida era ainda mais lindo do que quando chegamos. Continuamos
as visitas nas casas vizinhas a da Aparecida, mas a maioria
não se interessou muito e algumas nem sequer quiseram
conversar com a gente.
Fizemos
o primeiro estudo bíblico na casa da Aparecida no dia
14/01/04 o Wagner líder da nossa equipe foi conosco
para dirigir o estudo, para a nossa surpresa além da
Aparecida tinha mais quatro vizinhas dela nos esperando para
participar do estudo. A partir deste dia íamos a casa
da Aparecida todos os dias para estudar a Bíblia ou
apenas para conversar, e o Senhor dia a dia ia acrescentando
outras mulheres a este grupo. Assim a Sandra, a Janaina, a
Luciana, a Leca, a D. Maria, a D. Auridéia, e a Margarida
também ouviram a boa nova do evangelho e puderam entregar
suas vidas para Jesus e aprender Dele.
No dia
22/01/04 elas estavam na inauguração do templo,
na despedida elas choraram dizendo que iriam sentir falta
dos “amarelinhos” chegando as 15:00h para estudar
a Bíblia. Naquela noite quando a Aparecida se despediu
de mim ela me disse uma frase que nunca mais vou esquecer,
ela disse “Silvia eu vou agradecer a Deus pelo resto
da minha vida pelo dia em que você bateu em minha porta”.
Louvado seja o nome do Senhor pois a obra é dele e
para a glória dele!
Projeto
Teresina – Wagner Emke
Era dia primeiro de janeiro de 2004, sete horas da manhã,
na marginal tiete em São Paulo em frente ao Playcenter
(um parque de diversões), éramos oito paulistas
esperando dois ônibus que nos levariam para o Nordeste,
mais especificamente para Teresina. Os ônibus já
tinham saído de Florianópolis e passado em Curitiba
para pegar ali mais pessoas e agora já estavam chegando.
Um misto
de ansiedade e curiosidade já tinha tomado conta de
nossas vidas, principalmente porque a maioria do pessoal,
que era da região sul do país já tinha
se encontrado e participado do culto de envio que aconteceu
em Curitiba. O ônibus chegou e o pessoal nos recebeu
muito bem, pudemos então começar a se conhecer
(parecia ser um pessoal bem legal!). Iniciamos nossa viagem.
No compartilhar dos irmãos durante a viagem, percebemos
que as expectativas e ansiedades eram praticamente as mesmas,
estávamos todos agora no mesmo “barco”,
indo para um lugar desconhecido, e com um desejo muito grande
de falar do amor de Deus para aqueles que talvez nunca tiveram
a oportunidade de ouvir e muito menos conhecer esse amor.
No dia
três à tarde chegamos em Crato-Ceará,
permanecemos ali três dias para treinamento, e no dia
seis à noite fomos para Teresina-Piauí. Dia
sete chegamos e agora a ansiedade aumentou, estávamos
na cidade que o Senhor tinha nos convocado a falar do seu
amor. Cada um de nós sabia que a dependência
do Senhor plena e completa, seria a única maneira de
conseguirmos realizar sua obra. Fomos divididos em equipes,
tínhamos um mapa com a localização da
nossa área de trabalho e agora chegou o grande dia.
Dia oito iniciamos as visitações nas casas,
muitas nos receberam muito bem aceitando também ao
evangelho e entregando suas vidas ao Senhor Jesus, mas também
muitas casas não nos receberam, literalmente batendo
a porta em nossas caras.
Houve
muitos testemunhos interessantes e alguns até engraçados,
de como o Senhor ia trabalhando na vida de pessoas e transformando
os seus corações. Gostaria de compartilhar um
que aconteceu com nossa equipe. Tínhamos marcado um
estudo bíblico em uma rua com casas mais simples para
um domingo, mas o que nos preocupava é que havia um
bar bem no início desta rua e que era bem movimentado.
Nosso estudo ia ser embaixo de uma árvore a uns cinqüenta
metros atrás deste bar. Como o número de pessoas
começou a aumentar decidimos transformar o estudo em
um culto, e dois irmãos ficaram encarregados de conversar
com o dono do bar para ele nos emprestar a força para
ligarmos um aparelho de som para fazermos também um
teatro naquele dia. O Senhor tocou de tal maneira o coração
daquele homem, que além de nos emprestar a força
nos disse que iria fechar o bar e ali nós poderíamos
realizar o culto. Bom, lá estávamos nós
no domingo, dentro de um bar com trinta e nove adultos mais
dezesseis crianças realizando um culto de louvor e
gratidão a Deus pela sua obra (houve sete conversões
neste culto, glória a Deus!).
Muitas
vidas foram transformadas pelo poder e graça de Deus,
percebemos que muito de nossa ansiedade inicial era em achar
que, a obra teria de ser feita pelas nossas mãos e
forças, mas o Senhor nos lembrou e também nos
mostrou que a obra é só Dele, depende apenas
que homens e mulheres se disponham em ir, na confiança
que Ele suprirá todas as coisas.
A obra
em Teresina ainda não acabou, pelo contrário,
apenas iniciou. Somos desafiados a continuar orando pelo casal
e também pelos dois jovens que ali permaneceram para
dar continuidade a toda obra iniciada neste projeto missionário.
Creio que além de orar devemos mobilizar também
nossas comunidades a orarem, e também a contribuírem
financeiramente, para que esta obra não venha a parar
por falta de recursos. Só quando saímos de nossas
igrejas confortáveis e vamos até o campo, podemos
ver que muitos estão vivendo na miséria, tanto
material como também espiritual.
Que não
venhamos a nos acomodar, se não temos condições
de ir, precisamos enviar aqueles que assim se sentem chamados.
Um
pouco sobre Teresina - Edson Munck Junior
Saúdo
cada um de vocês com a graça e paz do nosso Senhor
Jesus Cristo! Bom, primeiramente, queria agradecer as orações
de vocês no período em que estive lá em
Teresina... Saibam que foi muito importante sentir o apoio
emocional – como amigos e irmãos na fé
– e o espiritual - lutando conosco para que a Palavra
rompesse, no poder do Espírito Santo, as cadeias que
prendiam as pessoas de lá -. A vitória, em Cristo
Jesus, veio! Agora, temos “sementes plantadas”
e com “agricultores” dispostos a cuidar do “campo”
lá em Teresina. E como foi bom participar deste projeto!
Foi marcante a ação de Deus na vida das pessoas
de lá, e foi mais marcante ainda tudo o que ELE fez
e continua fazendo em minha vida!!!
É
uma transformação total que o Espírito
Santo opera em nós. É um quebrantamento incrível
que toma conta de nós, uma dependência total
do Senhor que nos renova a cada dia. Eu pensava que já
conhecia bastante de Deus... Mas vi que ELE é sem limites
para agir! É muito bom estar na presença do
Senhor ouvindo Sua voz a cada instante, e lá era assim.
Os cultos internos – só entre os projetistas
na parte da manhã – brotavam do coração
de Deus pra gente. Eram momentos preciosos pelos quais, se
passarmos, não conseguimos continuar com as nossas
idéias e os nossos conceitos. Momentos de adoração
na presença do Senhor,mesmo, onde o fogo e glória
de Deus nos consumiam, momentos de Unção do
Espírito Santo sobre nossas vidas, momentos de quebrantamento
diante do trono de Deus. Ah, como Deus se revelou e tem se
revelado pra mim de uma forma tão linda que só
me resta dizer: EU TE AMO, SENHOR!!!
Aprendi
muito, venci muitos medos. Aprendi a conviver com pessoas
diferentes, que pensam diferente, que têm suas idéias
e concepções acerca da fé, fiz muitos
amigos em Cristo... Deus abençoou este grupo de uma
forma tremenda! Deus arrebatou nossos corações,
agora, acho que resta-nos a todo momento agradecer a Deus
pelo que ELE fez. Eu posso dizer que amo, em Cristo Jesus,
cada irmão que esteve comigo lá neste tempo...
tempo em que o amor aumentou mais e mais! GLÓRIA A
DEUS!!!
E o trabalho
missionário!?! Ah, como é bom falar de Jesus!
É muito especial ser portador da boa nova da Salvação,
tarefa que Deus confiou a nós e que nem os anjos são
capazes de realizar. Sair pelas ruas, de porta em porta, anunciando
que há esperança através de Cristo é
maravilhoso. Cada casa que abria ou cada casa que fechava
a porta para nós era bênção. Aqueles
que se dispuseram a ouvir o que queríamos anunciar
com certeza foram tocados. E não precisava nem ser
dentro das casas, falávamos na rua, sentando-nos na
calçada com o Francisco, com o Zé, com o Gilvan,
com a Maria, com a Francisca... Ah, irmãos, Deus colocou
um amor no nosso coração por cada um daqueles
moradores dos bairros São João, Noivos e Recanto
das Palmeiras. Era muito bom poder ganhar a confiança
das pessoas e ouvir os seus problemas, rir com suas alegrias
e se comover com suas tristezas. Lembro-me da Michele, uma
jovem muito carinhosa de mais ou menos uns 19 anos, que se
converteu e seu pai a expulsou de casa. Eles já tinham
uma relação complicada, o pai tem outras mulheres
e só aparecia em casa para maltratar a família
da Michele, mas dói ver uma realidade assim... Ela
ficou na casa de uma tia, e a casa da tia dela era próxima
da praça onde, à noite realizávamos os
cultos evangelísticos e não faltava um. Ela
é muito animada e nem aquela realidade dura e difícil
impedia que ela demonstrasse a alegria que tinha em, agora,
conhecer a Cristo. A Michele disse pra gente que quer participar
da Igreja e é uma forte candidata para trabalhar com
o Louvor... Que Deus a abençoe ricamente.
E era
assim, cada dia uma prova diferente do amor de Deus que operava
naquela cidade. Outro acontecimento muito interessante foi
o das mulheres do bar. Todos os dias, ao terminarmos o evangelismo
no bairro Recanto das Palmeiras, marcávamos de nos
encontrar – a nossa equipe, que era a EQUIPE 8, que
saudades daquelas pessoas! – num bar que era próximo
das ruas em que trabalhávamos e é lógico
um ponto estratégico para nos reunirmos e seguirmos
rumo à praça. E neste bar havia duas mulheres
que eram as donas, a Haydèe e a Leila, sempre estávamos
por lá, mas não havíamos anunciado a
mensagem da Salvação para elas. Os dias iam
passando e nenhuma oportunidade surgia de falar com elas.
Teve um dia em que caiu uma chuva muito forte e mesmo assim
nós saímos para o evangelismo. A nossa equipe
tinha um estudo bíblico para realizar numa casa e seguimos
para tal tarefa debaixo de uma chuva que nos molhou bastante
– os guarda-chuvas de nada adiantavam -, chegamos no
portão da casa onde estava marcado o estudo bem encharcados,
atravessando as “ruas rio” e debaixo de uma chuva
muito forte. Para nossa surpresa, a família que tinha
marcado o estudo não estava em casa. Confesso que me
revoltei com aquilo, tipo assim: “Senhor, a gente andou
debaixo desta chuva toda, estamos molhados...para nada!”
. Mas aí tinha me esquecido daquele provérbio:
“O coração do homem pode fazer planos,
mas a resposta certa vem dos lábios do Senhor”.
Íamos voltando e paramos lá no bar para reunirmos
o pessoal da equipe, mas sobrava muito tempo ainda para dar
a hora de irmos para praça. Daí, a Marceli,
nossa líder, sugeriu que começássemos
a cantar algumas músicas ali no bar mesmo, peguei meu
violão que tinha levado para usarmos no estudo bíblico
e começamos a cantar com a permissão da Leila
e da Haydèe, elas ficavam atentas. Tinha um freguês
lá que começou a incomodar com umas perguntas
e colocações que nos perturbavam, mas de repente
o cabra vai embora e aí a oportunidade surge: a Marceli
começa a apresentar o plano do amor de Deus para as
mulheres do bar. A Haydèe estava com uma criança
que começou a incomodar, querendo atenção
e tirando a atenção dela para a Palavra; em
questão de poucos minutos a menininha dorme de pé
mesmo, encostada no colo da Haydèe. O freguês
inconveniente e a menininha que poderia perturbar estavam
“vencidos”, mas, aí chega uma jovem parente
das outras duas no meio da conversa, aí a gente pensa:
“Agora, não dá mais!”. Mas a jovem
chega e fica muito interessada no assunto, acompanha o restinho
da apresentação do amor de Deus... Depois de
apresentarmos o plano para elas veio a pergunta: “Vocês
querem aceitar Jesus como Senhor e Salvador de suas vidas!?”.
E para nossa surpresa, as três se convertem ali mesmo.
A Haydèe disse que se sentia diferente, parecia mais
leve, mais tranqüila... As outras duas também
sentiam-se bem com este passo de fé. Ali eu vi que
valeu a pena tomar aquela chuva, ficar todo encharcado...
Se não fosse assim não teríamos parado
lá para falar de Jesus. Como são maravilhosas
as obras do Senhor!!!
Estes
acontecimentos foram alguns dos tantos outros que nos moveram
lá em Teresina. Eu louvo a Deus por ter permitido que
eu presenciasse estes acontecimentos! É para toda a
minha vida!
Meus
queridos, por enquanto, é isso que eu compartilho com
vocês. Depois mando mais “causos” de Teresina
e são muitos...
Eu queria
sugerir uma coisa para vocês: FAÇAM MISSÃO!!!
É lindo como Deus opera em nossa vida, é lindo
como enriquecemos nosso testemunho, é lindo como nos
apegamos a Deus e não mais queremos largar, é
lindo conhecer o poder que há no nome de Jesus Cristo...É
lindo IR (Mt.28.19).
Despeço-me
desejando as bênçãos de Deus sobre a vida
de cada um de vocês, que Ele te desafie dia após
dia para cumprir o querer dEle.
Um forte
abraço, na paz do Senhor,
Juiz de Fora, 05 de fevereiro de 2004.
O
que ficou no meu coração - Marceli Fritz
O que
mais me marcou foi a sede de saber mais da Palavra de Deus
e a vontade de mudar de vida, que senti principalmente, de
uma senhora que mal conseguia ler a Bíblia, mas que
queria que a gente ficasse o máximo de tempo possível
com ela para aprender mais. A sua alegria em receber uma Bíblia
foi imensa!! Ela dizia que nós éramos anjos
enviados de Deus.
A missão
em Teresina apenas começou, mas valeu muito pelas pessoas
que foram tocadas e desafiadas a entregarem as suas vidas
a alguém que é muito maior que elas, mas que
as ama muito!! A lição que ficou pra mim foi
de que não podemos perder chances de anunciar o Evangelho
e conduzir mais pessoas para a vida eterna.Isso também
em nosso meio, em nossa comunidade e em nossa cidade. Deus
não precisa de nós, mas ele quer nos usar e,
para isso, nós precisamos estar com o nosso coração
limpo e disposto a dizer a cada novo dia: "Eis-me aqui!
Envia-me a mim!! Um grande abraço.
O que ficou no meu coração
- Rosangela Luck Klinke
Que a
paz do Senhor Jesus esteja com todos!
O que ficou no meu coração após o projeto,
foi uma alegria muito grande de ter o privilégio que
Deus me proporcionou. E também de ter conhecido a turma
toda do projeto, ter convivido dias inesquecíveis.
Na minha vida, com 45 anos, não tenho palavras para
expressar o que vivi e senti da parte de Deus. Deus tem colocado
em meu coração um amor profundo para com o próximo.
Nas minhas orações eu tenho pedido a Jesus que
Ele me use onde quiser. Me apaixonei pelo Nordeste!!!
O
que ficou no meu coração - Mateus Holz Tasso
“Vem Jesus liberta o coração do nordestino...
Vem Jesus transforma muda sua história, faz ele feliz...”
Quando
cantávamos esse hino em um culto na praça, jovem
me disse que pelo menos o nordestino que mora no bairro São
João nunca mais seria o mesmo, porque pessoas de roupas
amarelas foram enviadas por Deus para mudar a vida deles.
Refletindo mais a fundo, não só o coração
do nordestino foi transformado, como também de todos
os projetistas.
Quando
chegamos ao nordeste nos foi dito que Deus podia chamar qualquer
pessoa para este projeto, mas Ele chamou aqueles que estavam
ali porque tinha um plano para cada um. Deus queria nos moldar
e levar pelas ruas de Teresina como pingos de luz divina aos
queridos nordestinos. Sem perceber fomos moldados por Deus
como barro nas mãos do oleiro.
O
que ficou no meu coração - Vanessa Rodrigues
Dias
Sabia que seria um mês de bênção
e de experiências inesquecíveis, só não
imaginava que minha vida seria transformada e renovada. Sentir
a presença de Deus, assim tão de perto, foi
algo extraordinário. Ver Deus agindo na vida de outros
é algo que não se pode descrever.
Ao final
do projeto, a certeza que tenho é que não foi
um mês que dei para o Senhor, mas sim o Senhor que me
presenteou com este mês, que dará frutos por
muitos outros meses.
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