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É, parece que os anos também me marcaram!!!
Até
anteontem eu era uma espécie de "mascote",
um guri da primeira hora do Movimento Encontrão, e,
agora, passadas algumas décadas, olho no espelho e constato
que minha barba está esbranquiçada, os "pés de
galinha" no meu rosto já são incontáveis, a minha
testa está cada vez maior, as costas estão se encurvando,
e a minha altura, que era de 1,82m, passou misteriosamente
para 1,81m... Bem, tão velho não sou, mas sei também
que não sou mais o adolescente de 17 anos, que chegou
em Novo Hamburgo dois ou três meses após a vinda do
pastor João Aamot e sua família, a fim de estudar no
Sul, preparando-se para o ministério pastoral, e sobretudo
para literalmente passar pelo processo de discipulado
de convivência com a família Aamot. É o início de 1965.
Novo
Hamburgo dos anos 60 era uma cidade pacata, gente muito
querida e acolhedora... A Comunidade
Evangélica de Novo Hamburgo recebeu de braços abertos
este pastor diferente, João Aamot, que falava de um
Deus que está perto, próximo e que deseja fazer de cada
coração humano a Sua morada, o Seu tabernáculo... Batia
e rebatia nesta tecla, insistia neste ponto, parecendo
até que de outra coisa não sabia falar... E foi assim
que poucos meses após o seu ministério pastoral - por
volta de abril de 1965 - algumas pessoas fizeram literalmente
o convite para Jesus entrar em suas vidas, aceitando-o
como Salvador e Senhor pessoal. Lembro-me
do Aamot apresentando-me estes primeiros irmãos e irmãs...
e na minha ótica, na minha visão, na minha interpretação
dos fatos históricos, estava-se assim desencadeando
o processo embrionário do Movimento Encontrão, pois,
especialmente alguns destes da primeira hora de então
pois foram os integrantes do famoso Grupo Chave,
que na Chácara do Júlio Otto, nas cercanias do
Bairro Scharlau em São Leopoldo, fizeram e escreveram
o Primeiro Pacto, o primeiro compromisso que tinha
implicações que iam além das fronteiras da Comunidade
Evangélica de Novo Hamburgo. Sim, naquela chácara este
grupo de visionários, em fé, viu a IECLB, o Brasil e
o mundo numa perspectiva até então imaginada e sonhada...
Que coragem!!! Que ousadia!!! Que santa obsessão!!!
Importante
nessa primeira hora foi o fato de que em todos os setores,
em todos os departamentos e áreas de atuação da Comunidade
de Novo Hamburgo, a pregação era sempre com a finalidade
evangelística. Desde a Escola Dominical, com os pequeninos,
passando pelos jovens, diretorias diversas... Insistia-se
sempre na necessidade de uma entrega da vida a Cristo.
O texto de Apocalipse 3.20 Eis que estou à
porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a
porta, entrarei em sua casa... era o texto básico, que
todos ouviam sempre de novo, tanto da parte do pastor
como de muitos destes novos convertidos, que foram tomados
de um ímpeto e zelo evangelístico
poucas vezes visto dentro da IECLB, no passado e presente.
Diversos
pequenos grupos surgiram como resultado da evangelização,
dando início assim ao que ficou conhecido como Grupos
ECO, onde o alvo era estudar a Bíblia em conjunto,
compartilhar alegrias e derrotas, sonhos e frustrações
e orar uns pelos outros e todos por situações comuns.
O
mundo dos anos 60 era muito diferente do atual... A
notícia dos acontecimentos de Novo Hamburgo espalhou-se
como um fogo pelas comunidades circunvizinhas, deixando
muita gente feliz e muitos intrigados... e de lá partiam
perguntas, comentários, críticas fortes e descabidas.
Em muitos destes lugares o Aamot era convidado para
falar, expondo o que estava fazendo, e sempre, sempre,
Apocalipse 3.20 era palavra que estava em destaque!!!
Pastores,
estudantes de teologia, lideranças da igreja, líderes
leigos atuantes, literalmente peregrinavam até a casa
e escritório do 'João' para se informar, questionar
e também muitos para aprender, a fim de melhor pastorear
os seus rebanhos. Aos poucos constituiu-se
um grupo de pastores que mutuamente se comprometeu com
o que ficou conhecido como o tripé, cujas ênfases básicas
eram: a evangelização,
não como método, mas como o meio pelo qual o indivíduo
chega a conhecer a boa notícia de que o sacrifício do
Gólgota foi e é suficiente para a sua salvação agora
e eterna; o segundo elemento do tripé era a ajuda aos
que manifestavam como recebedores e dependentes da graça
de Deus. Chama-se esta etapa de pediatria,
pois trabalhavam-se os valores e conceitos básicos que
deviam fazer parte da vida do recém-nascido espiritualmente;
e o terceiro elemento do tripé era o treinamento,
não com vistas a tarefas, atividades, mas treinamento,
discipulado para a vida. Esta equipe de pastores, que
se comprometeu com a visão do tripé, tinha no coração
o desejo de ajudar e repartir com outros colegas aquilo
que estavam praticando, o que de fato aconteceu em muitos
lugares. Logo viu-se que era importante
juntar as pessoas das mais diversas localidades e comunidades
para celebrarem os feitos de Deus em suas vidas e igualmente
juntos buscarem por novas estratégias a fim de que isto
se espalhasse com maior força por todos os rincões de
nossa terra. E assim nasceu o que hoje se chama de
Encontrões - de jovens, de crianças, de adultos,
de casais, regionais... e nacional. Sem dúvida
alguma um presente de Deus para milhares de pessoas,
cujos frutos em sua totalidade, obviamente, só teremos
o prazer de ver na eternidade. Soli Deo Gloria!!! Que
a glória, a honra e o louvor disto que vimos e ouvimos
e que experimentamos, no passado e no presente, seja
dado integralmente e unicamente àquele que chamamos
de Senhor Jesus Cristo!!!
Uma
das características marcantes do Evangelho é que ele
é criativo, sempre atual e sempre renovador. Métodos,
pedagogias, didáticas e meios para se comunicar e anunciar
este Evangelho são passíveis de mudança, e aliás, necessitam
de constante mudança. O conteúdo da Boa Nova é sempre
o mesmo, que Jesus Cristo é aquele que tem poder para
transformar a minha vida, que dá sentido à minha existência
e que me chama a ser instrumento concreto na Sua ação
missionária, capacitando-me pelo Espírito Santo para
tal. O jeito disto tudo acontecer pode em muitos casos
até deve ser diferente. Tenho a impressão de que muitas
vezes confundimos conteúdo com método, e isto é ruim,
pois perdemos de vista aquilo que é o absoluto de Deus
para todas as culturas, todos os tempos, todos os povos,
todas as circunstâncias, agarrando-nos a relativos e
a esquemas pessoais, muitas vezes por falta de humildade,
por falta de proposta, por falta de uma visão maior,
onde a dimensão do corpo tem supremacia sobre a dimensão
egoísta, marcada ou não por áreas de espiritualidade...
Bem, mas isto já é pano para outra manga...
Termino
convidando colegas obreiros, líderes leigos, homens
e mulheres de todas as idades para um tempo de gratidão
pelo que Deus já fez entre nós, e simultaneamente para
avaliarmos com humildade o que hoje acontece entre nós,
tendo como palavra inspiradora o texto de Jeremias 6.16:
Ponde-vos nos caminhos, e vede, e perguntai pelas veredas
antigas, qual o bom caminho, e andai por ele; e achareis
descanso para as vossas almas!. Sim, meus queridos,
é tempo de reconhecermos que ninguém tem toda a verdade,
mas simultaneamente é tempo de reconhecermos que a bênção
do Senhor não está nos grandes estrondos, grandes barulhos,
grandes trovões, antes pelo contrário, está no vento
do coração do Senhor ao nosso coração, para que assim
outros corações possam ser atingidos.
É tempo de ver que o mesmo Deus que ontem agiu continua
desejoso e amorosamente interessado em manifestar a
Sua graça e a Sua glória como fez no passado. É tempo
de rogarmos que Deus nos livre de uma teologia de museu,
carcomida pelas traças, com cheiro de naftalina, mas
ao mesmo tempo que Deus nos dê a humildade de olharmos
para o passado, sem precisarmos reinventar a roda, reconhecendo
que também as nossas memórias fazem parte da bênção
do Senhor sobre nós. Amém!!!???
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